Sobre mim
Da Admiração à Ação

Meu nome é Rafael Aguiar. Minha história com o desenho na pele começou cedo: do kit de canetas e decalques da Faber-Castell nos anos 2000 à minha primeira tatuagem real, em 2013. Até 2024, eu era "apenas" um entusiasta.

Meus amigos e tatuadores Raif Andrade (@raiftattoo) e Junior Souto (@jrtattoomob) sempre me deram aquele empurrãozinho para começar, mas eu relutava. Tatuagem é papo sério; é algo que fica para a vida toda. Enquanto o desejo maturava, segui minha vida como professor de matemática na Escola Francesa e fotógrafo nas horas vagas.

Um dia, ganhei uma caixa cheia de materiais de estudo. Foi o estalo que faltava. Montei a máquina e procurei o Omilto (@omiltontattoo) — fisioterapeuta, tatuador e estudante de medicina tão inquieto quanto eu. Ele me deu as coordenadas iniciais sobre biossegurança e me ajudou com o que faltava para o primeiro traço.

O Início Infinito

Como bom matemático, o pragmatismo falou mais alto. Decidi que só encostaria em alguém após centenas de horas em pele artificial. Quando me senti seguro, a "vítima" (e maior incentivadora) foi minha esposa, Nayade, que tem muito mais tattoos que eu.

A sensação da primeira vez? Parecia que eu estava fazendo uma prova final. O frio no estômago, a concentração absoluta, a hesitação. Não ficou péssimo, mas a pele real é um mestre exigente: ela não aceita o mesmo que o treino. Foi ali que entendi que a evolução seria constante. Foram três tatuagens longas, feitas em várias sessões ao longo de um ano e meio, até eu decidir mergulhar de cabeça nesse mundo.

Conexões e a "Guerra das Marcas"

No mundo da docência, o caminho é íngreme e cheio de "panelinhas". Na tattoo, encontrei o oposto: acolhimento. Através da fotografia, pude estar em workshops de mestres como Junior Souto e Rafa Lopes, aprendendo a observar a arte de perto.

Foi nesse caminho que conheci o Lico. Mais do que o gerente da Electric Ink Brasília na época, ele é um tatuador com 30 anos de experiência — um verdadeiro mestre desta arte. No mesmo ambiente, conheci o Hugo Lobo (@boldtimes), um cara que hoje considero um irmão e um veterano a quem recorro frequentemente.

Entre papos com o Hugo sobre agulhas, fotografia e cerveja, percebi que o cenário da tattoo é como o das cameras (Nikon vs. Canon): as pessoas amam ou odeiam marcas. Como fotógrafo, aprendi que a melhor câmera é a que resolve o seu problema. Na tattoo, segui o conselho dos mais velhos mas decidi tirar minhas próprias conclusões, testando tudo com critério técnico e sem preconceitos.

Ainda tive a honra de conhecer o Danny (@dannytattoo), um verdadeiro "dinossauro" da cena de Brasília, e seu filho Davi Gomez. O Danny se tornou aquele mestre a quem recorro sempre que surge uma dúvida técnica mais profunda. Sou imensamente grato a essa rede de apoio de veteranos que me acolheu tão bem.

Equipamentos e o "GAS" (Gear Addiction Syndrome)

Não nego: sou apaixonado por equipamento. Comecei investindo o dinheiro suado das aulas de matemática na melhor máquina que pude: uma Ultra Pen 2. A máquina não faz o artista, mas certamente torna o processo mais preciso.

Minha estratégia foi avançar aos poucos, sem a pressão financeira de depender exclusivamente da tattoo de imediato. Isso me permitiu "degustar" o aprendizado. Às vezes, me via mais interessado em entender os parâmetros das máquinas do que em tatuar propriamente — o lado nerd falando alto.

Já regulei guitarras, já testei todos os sistemas de câmeras e agora sinto o mesmo prazer estudando o maquinário da tattoo. Hoje, meu setup conta com uma Ultra Pen 2, Nano Pen 3 e PenPop Deluxe, todas da Electric Ink.

Para os interessados: Criei uma página dedicada apenas para falar de máquinas e insumos. [Clique aqui para o conteúdo "nerdola"]